sábado, janeiro 28, 2023

Hoje faço 33 anos

É a idade de Cristo

Eles dizem.


Minha esposa e filha

Viajaram, mas fiquei

Para trabalhar.


Turno terminado, com meu livro 

Me sento em frente ao mar

E leio.


Leio porque, ao lado de minha filha 

É a melhor coisa desses meus

33 anos, como os de Cristo

quarta-feira, janeiro 18, 2023

Há nos rincões dos países

Pessoas esquecidas

Que bebericam café

Enquanto leem o jornal


Elas têm sonhos e memórias

Lembranças e histórias

Que acabaram perdidas

Entre dias e noites passados


Algumas anda são ouvidas

De madrugada

Por quem ainda

Consegue escutá-las.

terça-feira, janeiro 03, 2023

The city never sleeps at night

The city never sleeps at night 

Is what they say while our lives

Escapes through our hands

In broad daylight. 

segunda-feira, dezembro 19, 2022

Tive tantos grandes planos

Que esqueci de realizá-los.

segunda-feira, outubro 31, 2022

A churrasqueira vermelha

Ao lado do forno Philco

E Lô Borges cantando

Na caixinha de som

São poesia tanto quanto

Eu e você somos


Vivendo, sonhando

Chorando, sorrindo,

Nascendo, morrendo


Que coisa bonita é

Essa vida que temos

Mesmo que a gente

Não lembre muito disso

Na maioria das vezes.

Há roupas de todas as cores no varal

Enquanto Milton canta sobre o girassol

Da cor do seu cabelo, a mesma cor

Que a gente tem quando pensa em

Família, amores, na vida como um todo.


Há roupas de todas as cores no varal

Enquanto há pensamentos de todo tipo

Em nossa cabeça, que, gira, gira, sem parar


Porque o mundo é bonito demais pra

Palavras e poemas que a gente faz,

Olhando pro varal.

sábado, setembro 24, 2022

Em Porto, uma cega pede: "Dê uma esmola à ceguinha, por favor, com a sagrada luz que ilumina vossos olhos." 


Achei a frase bonita, e aquilo me deixou triste.

Eu queria ser a estátua de Drummond

Com um mendigo me abraçando

Mas queria ser mais, muito mais

Queria ser o mendigo abraçando a estátua

Queria que o mendigo fosse poeta

Que a estátua fosse mendigo

Queria que ele e eu, e você que nos lê

Também fôssemos gauche na vida


Queria que todos nós fôssemos

Um poema de sete faces

Mas talvez eu só ache isso porque

Essa lua, esse conhaque, esse poema

Me botam comovido como o diabo

Quem sabe, como Deus quando criou

Tudo o que já foi amado.

Quando jovens

Queríamos romper com tudo

Sem perceber que no fim

Nadávamos rumo ao fundo


Um anjo torto me disse

Vai, Gabriel, ser o que quiser na vida

Mas o que eu queria, era triste

Era ser paixão incompreendida.

Todo mundo é artista

Eu sou só maquinista

Fazendo o trem andar

Pra terra não parar.


Talvez seja meio artista

Sempre trabalhando

Dançando, cantando

Pra terra não parar.