Tive tantos grandes planos
Que esqueci de realizá-los.
Há roupas de todas as cores no varal
Enquanto Milton canta sobre o girassol
Da cor do seu cabelo, a mesma cor
Que a gente tem quando pensa em
Família, amores, na vida como um todo.
Há roupas de todas as cores no varal
Enquanto há pensamentos de todo tipo
Em nossa cabeça, que, gira, gira, sem parar
Porque o mundo é bonito demais pra
Palavras e poemas que a gente faz,
Olhando pro varal.
Eu queria ser a estátua de Drummond
Com um mendigo me abraçando
Mas queria ser mais, muito mais
Queria ser o mendigo abraçando a estátua
Queria que o mendigo fosse poeta
Que a estátua fosse mendigo
Queria que ele e eu, e você que nos lê
Também fôssemos gauche na vida
Queria que todos nós fôssemos
Um poema de sete faces
Mas talvez eu só ache isso porque
Essa lua, esse conhaque, esse poema
Me botam comovido como o diabo
Quem sabe, como Deus quando criou
Tudo o que já foi amado.
as teorias do fim do mundo
e os desastres naturais
as procissões religiosas
e a tecnologia do futuro
se encontram em versos
escritos há séculos
por gente que ainda
está por nascer quando
as últimas linhas escritas
nunca mais serão lidas
a não ser por alguém
que acredita nisso tudo
como eu acredito
(ou acho que acredito)
você acredita, ou
quer acreditar?
ouçamos então as últimas
palavras de profetas
que nunca acertaram
nenhuma previsão
são elas as mais corretas
nesse mundo louco
que segue girando
o tempo todo.