You know a lot
About a lot of things
But you just don't know
What the future will bring.
segunda-feira, julho 09, 2018
quarta-feira, julho 04, 2018
Primeiro conquistamos Manhattan, depois Berlim
Primeiro conquistamos
Manhattan, depois Berlim
A música do Cohen
tocava nos alto falantes
Enquanto você sorvia
seu Campari
Como quem enfrentava
uma manada de elefantes.
A marca do batom na
taça
Era o mais próximo de
uma canção do Belchior
Que eu já havia
chegado.
Você fumava com
estilo, com graça
E eu todo desastrado.
A música do Cohen
tocava nos alto falantes
Eu não esperava ouvir
Cohen naquele lugar
Você falava sobre sua
próxima viagem a Paris,
Sobre Sartre e sobre
pinturas mexicanas
Você exalava graça,
E me fazia pensar em
coisas bacanas.
Pensei em uma casa no
campo,
Em livros nas estantes
Em garrafas de vinho
Em amores dissonantes.
A música do Cohen
tocava nos alto falantes
Mas eu estava sozinho
Querendo que tudo
voltasse a ser
Como era antes.
terça-feira, junho 26, 2018
𝐎 𝐝𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐢𝐧𝐚𝐬
Fernando Pessoa
De Pessoa a Belchior
De Leminski a Ben Jor
Vou tentando me encontrar.
Achar o que fui,
O que sou e o que serei.
Encontrar o que amo
O que amei e amarei.
A vida é um barato,
Meu amigo
Uma pena tanta gente boa
Já ter partido.
Por enquanto vamos ficando,
Esperando a nossa hora
Com poemas e músicas
É mais leve e se demora.
Por enquanto é só ter fé,
Paciência e muita calma
No final só o que resta
Dessa vida é nossa alma.
De Leminski a Ben Jor
Vou tentando me encontrar.
Achar o que fui,
O que sou e o que serei.
Encontrar o que amo
O que amei e amarei.
A vida é um barato,
Meu amigo
Uma pena tanta gente boa
Já ter partido.
Por enquanto vamos ficando,
Esperando a nossa hora
Com poemas e músicas
É mais leve e se demora.
Por enquanto é só ter fé,
Paciência e muita calma
No final só o que resta
Dessa vida é nossa alma.
domingo, junho 24, 2018
The Artist
The party hoppers
wolfing down the wine and cheese
without a glance at what might be
considered art
At all those Thursday evening openings
in San Francisco
And the critics and the crickets
and the singles out to score
And the docents of the donor classes
sheathed in silk & Christian Dior
holding long-stemmed glasses
With the tide of tinkled voices rising
And the painter to one side apprising
the whole uprising
as if from a most distant shore
And saying to himself Is this
what I am painting for?
No wonder then that he
adrift in this society
doth drink too much
and roll upon the floor?
Lawrence Ferlinghetti
sexta-feira, junho 22, 2018
Flores efêmeras
flores efêmeras
em todo lugar
flores efêmeras
em seu linguajar
flores efêmeras
em jardins de desenganos
flores efêmeras
a quem já não faz mais planos.
flores efêmeras
é só o que resta
em tumúlos descuidados
de cidades regressas.
flores efêmeras
para quem já se esqueceu
das paixões, dos desabores
do fracasso e do apogeu.
flores efêmeras
em meu próprio velório
flores efêmeras
no fundo dos meus olhos
flores efêmeras
para todo desamor
flores efêmeras
é tudo o que restou.
em todo lugar
flores efêmeras
em seu linguajar
flores efêmeras
em jardins de desenganos
flores efêmeras
a quem já não faz mais planos.
flores efêmeras
é só o que resta
em tumúlos descuidados
de cidades regressas.
flores efêmeras
para quem já se esqueceu
das paixões, dos desabores
do fracasso e do apogeu.
flores efêmeras
em meu próprio velório
flores efêmeras
no fundo dos meus olhos
flores efêmeras
para todo desamor
flores efêmeras
é tudo o que restou.
quinta-feira, março 29, 2018
E nossos sonhos foram enterrados no topo de uma chaminé
“E nossos
sonhos foram enterrados no topo de uma chaminé”, o velho louco costumava me
falar no banco da praça aonde jogávamos xadrez. Samuel, era seu nome. Eu não
sabia jogar xadrez, mas Samuel pacientemente me ensinava a cada movimento
errado com a torre, o cavalo ou o bispo. Samuel faleceu uns poucos anos depois,
vítima de insuficiência renal, ou alguma coisa do tipo, dessas coisas que
acometem os velhos quando o seu tempo de sofrimento nesse plano chega ao fim.
Me mudei de casa dia desses. Deixei o velho quarto e as velhas memórias e
voltei para a casa dos meus pais. Nela há uma chaminé, que quase nunca é ligada
porque não faz muito frio no Brasil. Lembrei de Samuel, do xadrez e de seu
velho ditado, que ele murmurava com os olhos virados como se estivesse
revivendo outra vida, em outra época e com outra companhia. E nossos sonhos
forram enterrados no topo de uma chaminé.
quarta-feira, março 21, 2018
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