domingo, junho 24, 2018
The Artist
The party hoppers
wolfing down the wine and cheese
without a glance at what might be
considered art
At all those Thursday evening openings
in San Francisco
And the critics and the crickets
and the singles out to score
And the docents of the donor classes
sheathed in silk & Christian Dior
holding long-stemmed glasses
With the tide of tinkled voices rising
And the painter to one side apprising
the whole uprising
as if from a most distant shore
And saying to himself Is this
what I am painting for?
No wonder then that he
adrift in this society
doth drink too much
and roll upon the floor?
Lawrence Ferlinghetti
sexta-feira, junho 22, 2018
Flores efêmeras
flores efêmeras
em todo lugar
flores efêmeras
em seu linguajar
flores efêmeras
em jardins de desenganos
flores efêmeras
a quem já não faz mais planos.
flores efêmeras
é só o que resta
em tumúlos descuidados
de cidades regressas.
flores efêmeras
para quem já se esqueceu
das paixões, dos desabores
do fracasso e do apogeu.
flores efêmeras
em meu próprio velório
flores efêmeras
no fundo dos meus olhos
flores efêmeras
para todo desamor
flores efêmeras
é tudo o que restou.
em todo lugar
flores efêmeras
em seu linguajar
flores efêmeras
em jardins de desenganos
flores efêmeras
a quem já não faz mais planos.
flores efêmeras
é só o que resta
em tumúlos descuidados
de cidades regressas.
flores efêmeras
para quem já se esqueceu
das paixões, dos desabores
do fracasso e do apogeu.
flores efêmeras
em meu próprio velório
flores efêmeras
no fundo dos meus olhos
flores efêmeras
para todo desamor
flores efêmeras
é tudo o que restou.
quinta-feira, março 29, 2018
E nossos sonhos foram enterrados no topo de uma chaminé
“E nossos
sonhos foram enterrados no topo de uma chaminé”, o velho louco costumava me
falar no banco da praça aonde jogávamos xadrez. Samuel, era seu nome. Eu não
sabia jogar xadrez, mas Samuel pacientemente me ensinava a cada movimento
errado com a torre, o cavalo ou o bispo. Samuel faleceu uns poucos anos depois,
vítima de insuficiência renal, ou alguma coisa do tipo, dessas coisas que
acometem os velhos quando o seu tempo de sofrimento nesse plano chega ao fim.
Me mudei de casa dia desses. Deixei o velho quarto e as velhas memórias e
voltei para a casa dos meus pais. Nela há uma chaminé, que quase nunca é ligada
porque não faz muito frio no Brasil. Lembrei de Samuel, do xadrez e de seu
velho ditado, que ele murmurava com os olhos virados como se estivesse
revivendo outra vida, em outra época e com outra companhia. E nossos sonhos
forram enterrados no topo de uma chaminé.
quarta-feira, março 21, 2018
segunda-feira, fevereiro 19, 2018
domingo, janeiro 28, 2018
Chore, amigo. Chore porque as lágrimas são os pingos de chuva da alma. São o banho de nossos sonhos e memórias. São lembranças líquidas que atravessam nossos olhos para nos lembrar que estamos vivos e vivemos, e para honrar aqueles cujos olhos já se fecharam e não choram mais. Chore por você, por nós e por eles. Chore de alegria e de tristeza. Chore porque as lágrimas vão limpar nossos dias, e porque algum dia alguém também há de chorar por nós.
quarta-feira, janeiro 17, 2018
sexta-feira, janeiro 05, 2018
sexta-feira, dezembro 22, 2017
é essa tristeza maltrapilha que se apodera de nós
homens e mulheres com 20 e poucos, 30 e poucos,
40 e poucos, 50 e poucos, e por toda a vida
rangendo nossos dentes amarelados e
cobrando prestações do amor que não temos,
que já tivemos, e que perdemos
apostando na roleta das emoções
fastigados pela crueza dos relógios
dos escritórios, dos bares
e das noites intermináveis
no escuro breu de nossos sentimentos.
e por isso, fantasma
atiro-lhe meus últimos dois centavos
em moedas de cobre que consegui com um mercador etíope
em outra encarnação, no Egito, no séc. XIX
porque a história supera qualquer drama
e os deuses têm um lugar especial para nós
que vivemos, e sofremos, e morremos
ontem, hoje ou amanhã.
homens e mulheres com 20 e poucos, 30 e poucos,
40 e poucos, 50 e poucos, e por toda a vida
rangendo nossos dentes amarelados e
cobrando prestações do amor que não temos,
que já tivemos, e que perdemos
apostando na roleta das emoções
fastigados pela crueza dos relógios
dos escritórios, dos bares
e das noites intermináveis
no escuro breu de nossos sentimentos.
e por isso, fantasma
atiro-lhe meus últimos dois centavos
em moedas de cobre que consegui com um mercador etíope
em outra encarnação, no Egito, no séc. XIX
porque a história supera qualquer drama
e os deuses têm um lugar especial para nós
que vivemos, e sofremos, e morremos
ontem, hoje ou amanhã.
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