sexta-feira, agosto 20, 2010

eu não sou mais
aquele garoto caipira
que fui outrora
recém chegado à cidade grande,
totalmente deslumbrado
e perdido e maravilhado,
com o universo infinito.

eu costumava beber em bares
até eles fecharem
eu costumava beber em bares
até eles me expulsarem.
e eu tive sim
uns dias bons,
ah, tive sim
uns dias ótimos.

mas, eles não foram suficientes
(deus sabe porque eles nunca são suficientes?)
porque, eu não sei,
ah baby, eu definitivamente
não sei o porque
nós nunca estamos
realmente contentes.

e eu deixei de ser aquele caipira
deslumbrado, apaixonado
por uma dúzia de garotas que eu
mal conhecia.

parece que uma hora
todo aquele encanto
simplesmente
sumia.

parece que uma hora
toda a sua vida
desaparecia.

e a gente nunca entendia
que diabos acontecia
com as rimas
que a gente insistia
em escrever.
isso é tudo
poesia barata, baby
e eu não me importo
com as tuas conclusões
com os conselhos da tua mãe.

isso é tudo
o que não me mata, baby
e eu não me importo
se não me faz bem
eu beber e fumar,
e nem pensar em parar.

isso é tudo
o que me faz esquecer
de mim, de você, e da droga da vida
tão doída e sofrida
tão bonita e esquecida
pelo resto das pessoas
que não leram e que se esqueceram
de como é bom escrever
meia dúzia de versos
sobre o fim do universo
ou qualquer bobagem desse tipo.

que se dane, meu bem
eu só sou alguém
procurando meu próprio caminho
para o céu.
ou para qualquer lugar
que me tire daqui
agora
sem hora
pra parar.
eu vou me mandar daqui
vestindo um terno de linho
cantando blues sozinho
andando devagarinho
em direção a lugar nenhum.

eu vou me mandar daqui
cantando baixinho
o final da minha canção.

eu vou me mandar daqui
levando na mala
meia dúzia de livros
lembranças de amigos
seu retrato esquecido.

eu vou me mandar daqui
enquanto tocam o hino nacional
em alguma escola municipal
que fica nessas ruas esquisitas
que me fazem sentir um parasita
da sociedade, do mundo
e de mim mesmo.

que mal eu fiz
pra ser um cara
tão perdido.

que mal eu fiz
pra ser um cara
esquecido.

pros diabos
com tudo isso
que permeia
minha cabeça
e de mais alguns esquecidos
pelo resto
do planeta.
não importa muito o que você pense
a partir de agora
eu tomei como decisão
que vou ser alguém só
e vou pegar o ônibus
e vou ler meu livro
e vou ficar legal
e nada vai me fazer mal.

e não me importa muito o que você pense
agora eu vou ficar tranquilo
quieto no meu canto
só pensando no encanto
das minhas canções favoritas.
e tudo isso enquanto eu bebo
um grande uísque, que cê nem imagina
o quão barato eu paguei
praquele meu amigo que contrabandeia
e paga uma boa propina
pros fiscais da fronteira.

e não me importa muito
o que qualquer um pense
enquanto eu só me mando pro inferno
sozinho, completamente sozinho
com a minha dose completa
da mais genuína e seleta
solidão.
ás vezes nós damos telefonemas
pra falar de coisas pequenas
á uma da madrugada, completamente embriagados
pra falar sobre nada, absolutamente nada.
e a gente só procura um tanto de afeto,
a gente só quer ter alguém por perto.

ás vezes nós escrevemos poemas
sobre amores partidos e despedaçados
mas a gente nem sabe o que é amor
a gente nem se liga muito nas coisas da vida
e qualquer bobagem é inspiração pra ser um suícida.

ás vezes nós nos perdemos em nossa própria cabeça
e bebemos um vinho barato lendo um livro bonito
sacando que a vida é o que tá escrito
bem ali na nossa frente
de um jeito diferente
do que a gente imaginou.
há uma espécie de bêbado por aí
uma espécie de bêbado poético
de bêbado solitário, procurando por afeto.

há uma espécie de bêbado por aí
que não se importa com muitas coisas,
que não se interessa por dinheiro
que comete alguns erros.

há uma espécie de bêbado por aí
que é quase um gênio
encostado no balcão
bebendo uísque com gelo.

há uma espécie de bêbado por aí
que teve sonhos e desesperos
que perdeu garotas, e que tem medo
de continuar sendo
só mais um bêbado.

e é pra esses bêbados
que eu dedico
esse arremedo de versos
patéticos.

e é pra esses bêbados e seus
pensamentos
que eu dedico
esse versos escritos
por outro bêbado
como eu.
It's happening baby
They're putting up the chairs
Zaking the money
And all we can do is pray
Pray for tomorrow

Ryan Adams

terça-feira, agosto 17, 2010

ela me disse
que gostava do meu beijo
e gostava do meu toque.

ela me disse
que gostava de mim
mas que estava confusa
que gostava de mim
mas que a decisão era sua.

ela pediu
um tempo pra pensar
ela pediu
pra eu não me matar.

ela me disse
que gostava de mim
e que eu era importante.

ela me disse
que gostava de mim
que eu não fosse tão errante.

ela pediu
pra eu beber menos
pra eu fumar menos
pra eu não me preocupar
com problemas pequenos.

ela me disse
que eu era especial
ela me disse
que eu era um cara legal.

eu nunca soube
muito bem o que fazer
eu nunca soube
muito bem o que dizer

mas eu gostava dela
ah, eu gostava dela
eu só não sabia
o que fazer.
quantos porres mais
eu tenho que tomar
pra você me amar?

segunda-feira, agosto 16, 2010

se tudo foi em vão
pros diabos com a solidão
eu sou só mais um maluco
procurando a salvação.